Dois médicos argentinos constataram que uma veia denominada "seio
cardíaco" cumpre a função do que se poderia chamar uma "quinta cavidade"
do coração.
A descoberta dos pesquisadores Adrián Barceló e Luis de la Fuente,
divulgada hoje pela imprensa argentina, aconteceu depois de um estudo
exaustivo em conseqüência de um caso clínico em que se buscava
desenvolver um dispositivo para ser enxertado em uma válvula cardíaca.
Os médicos chegaram à conclusão de que o seio cardíaco é uma veia a qual
até agora não se havia dado a devida importância, embora tenha
características de uma cavidade. A descoberta possibilitará uma evolução
no estudo das taquicardias, já que até o momento não se encontrou o
foco elétrico causador de tal patologia, que provoca um aumento do ritmo
cardíaco e gera transtornos no coração.
"O nodo que descobrimos explica algumas arritmias que não podiam ser tratadas até então", declarou De la Fuente ao jornal Clarín.
O pesquisador é chefe do Serviço de Cardiologia Intervencionista da
Clínica Suíço-Argentina e do Instituto do Diagnóstico, ambos de Buenos
Aires.
Por meio de modernas técnicas de fotografia digital, os pesquisadores
utilizaram oito cadáveres para chegar às conclusões incluídas no
trabalho Novos conceitos sobre o seio coronário, anatomia de uma pequena e oculta câmara cardíaca.
O estudo foi realizado no laboratório de Cardioanatomia do Instituto
Universitário da Fundação Barceló e, além de ser apresentado na
Universidade de Stanford, nos EUA, será publicado por revistas
especializadas de todo o continente americano.
"Agora vem a etapa do debate e da discussão com os colegas. Ainda há
muito a fazer, mas o mais importante é que esta descoberta permitirá
tratar arritmias de todo tipo", explicou Adrián Barceló.
Os médicos, ambos professores universitários, disseram que a descoberta
não mudará os livros de anatomia, que atribuem ao coração quatro
cavidades e não cinco. "Se nos exames os alunos responderem que o
coração tem quatro cavidades, vamos considerar correta a resposta",
esclareceu Barceló.
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