segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Depressão: de pai para filho

Transtornos de ansiedade podem ser transmitidos entre gerações. Saiba como lidar com eles

por Giuliano Agmont
design Darlene Cossentino
ilustrações Nik

Acredite: milhões de meninos e meninas Brasil afora enfrentam as dores da alma ao longo da infância ou da adolescência. E o pior: com altos índices de reincidência depois das primeiras manifestações. O mais impressionante, no entanto, é o que revelam dois recentes estudos americanos, um da Universidade de Vanderbilt e outro do Johns Hopkins Children’s Center. Eles mostram que filhos de pais depressivos ou com desordens de ansiedade são até sete vezes mais suscetíveis do que outras crianças a apresentar esse tipo de transtorno. Felizmente, também de acordo com as duas pesquisas, dá para interromper o ciclo desses distúrbios psicológicos de forma precoce.

“Esses problemas, que incluem a síndrome do pânico e as fobias, resultam de uma combinação entre predisposição genética e fatores ambientais”, resume a psiquiatra infantil Ana Kleinman, coordenadora do Programa de Transtornos do Humor da Infância e Adolescência (Proman) do Instituto de Psiquiatria doHospital das Clínicas de São Paulo. “Pais depressivos ou ansiosos, além dos genes que transmitem aos filhos, podem ter maior difi- culdade para dar a atenção de que a moçada precisa”, acredita.

A falta de paciência, a agressividade e a indiferença dos adultos podem gerar uma sensação de abandono emocional na garotada. E, para complicar tudo, essa turma teme ver o pai ou a mãe reagir mal diante de suas necessidades. No consultório de Ana, por exemplo, a cena é relativamente comum: ao perguntar a seus jovens pacientes se acham que a vida se passa em uma tela de TV em preto e branco, em geral a médica ouve respostas que refletem angústias e perturbações atípicas da faixa etária.

Menstruar ou não menstruar?

Cada vez mais mulheres optam por interromper de vez a menstruação. Veja o que os médicos dizem e o que deve ser levado em conta na hora de tomar essa decisão

por Hilda Sabino • design Laura Salaberry • fotos Gustavo Arrais

Sabrina Mascarenhas de Oliveira tem 21 anos e nem sofre muito com a sua menstruação. “Apenas sinto vontade de comer chocolate durante a TPM e sinto um pouco de dor”, conta a jovem estudante de administração que reside em Mauá, na Grande São Paulo. Apesar de não experimentar cólicas severas e outras complicações do ciclo menstrual, ela acredita que seria bom acabar com o sangramento mensal. “Isso me ajudaria, mas tenho medo do que possa me acontecer no futuro.”

Sabrina não é a única a ponderar sobre o tema. Segundo um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, 32,5% das mulheres gostariam de nunca mais menstruar e 40% sonham com uma simples trégua, ficando mais de um mês sem sangrar. “Essa não é uma tendência exatamente nova, mas agora a mulher se sente com mais liberdade de escolha”, diz a psiquiatra Carmita Abdo, que é coordenadora do Instituto ProSex, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O assunto rende debates entre amigas e gera opiniões diferentes entre os próprios médicos. “Há dez anos, eu diria que suprimir a menstruação era ir contra um processo natural. Hoje, porém, os métodos estão bem mais seguros”, afirma o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

Afinal, menstruar pra quê?


A gente conhece esta história: todos os meses, o corpo da mulher se prepara para engravidar e, quando isso não acontece, o óvulo amadurecido é liberado junto com parte do endométrio, a parede uterina. Isso é um sinal de que o organismo feminino está saudável e que os hormônios estão cumprindo direito o seu papel. Ponto.

Para interromper o ciclo, os especialistas indicam anticoncepcionais já conhecidos. “A diferença é que a mulher continua utilizando o método sem os intervalos geralmente recomendados”, explica o ginecologista Jarbas Magalhães, secretário da Comissão Nacional de Anticoncepção da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

A maioria desses contraceptivos age de forma semelhante: trata-se de moléculas artificiais que agem como o estrogênio e o progestagênio, dois hormônios produzidos durante o ciclo menstrual. Ao simular essas duas substâncias, o remédio encena a fecundação que não ocorre. “O sangramento que as mulheres têm no intervalo da pílula é fruto apenas da falta do hormônio, e não uma menstruação legítima”, esclarece a ginecologista Lucila Pires Evangelista, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Existem várias alternativas para deixar de menstruar (veja o quadro na próxima página), mas alguns médicos são contra qualquer uma delas em mulheres jovens e saudáveis. “Embora esses hormônios pareçam seguros, ainda não conhecemos os efeitos no corpo a longo prazo”, argumenta o ginecologista Flávio Zucchi, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo.

A turma de jaleco só concorda em um ponto: para algumas mulheres, parar de menstruar é essencial. “Indico para pacientes que sofrem com cólicas muito intensas e endometriose, quando o tecido que reveste o útero cresce demais”, completa Zucchi.

Sem o sangramento periódico, a tensão pré-menstrual, a famosa TPM, é outra chateação que dá adeus — pelo menos temporariamente. “Em alguns casos graves, em que a sensibilidade fica muito exacerbada, a supressão da menstruação pode ser mais uma arma contra a TPM, mas não podemos fazer dela o único recurso possível”, opina o psiquiatra Alexandre Saadeh, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Antes de tomar qualquer decisão, o mais importante é conversar com seu ginecologista. “É preciso avaliar o seu histórico e realizar uma bateria de exames, como o ultrassom transvaginal”, recomenda o ginecologista Waldemir Rezende, do Hospital Santa Catarina. A supressão é — ou deveria ser — descartada para obesas, hipertensas e diabéticas descompensadas.

Depois de iniciado o tratamento, é importante ficar de olho no comportamento do organismo. “Até mesmo bons médicos se equivocam na escolha do método, e só o acompanhamento vai revelar se a opção foi certeira”, diz César Eduardo Fernandes.

domingo, 27 de novembro de 2011

Prevenção do câncer está associada a mudanças de comportamentos e hábitos

É possível prevenir alguns tipos de câncer a partir de mudanças de hábitos e comportamentos, segundo o oncologista Murilo Buso, do Centro de Tratamento Oncológico do Hospital Universitário de Brasília. No Dia de Combate ao Câncer, lembrado hoje (27), o médico adverte: "O câncer não é uma única doença. São inúmeras doenças diferentes. É possível, sim, preveni-lo”.

O alerta do oncologista se refere ao fato de que se as pessoas não fumarem, evitarem o consumo excessivo de álcool, cuidarem do peso e de determinadas infecções, o risco de desenvolvimento de um tumor maligno será reduzido.
É uma questão de mudança de comportamento, disse Buso em entrevista concedida ao programa Revusta Brasil, da Rádio Naciona, neste domingo (27). Para ele, o desafio do sistema de saúde no Brasil é colocar à disposição dos doentes o tratamento adequado para a cura do câncer. De acordo com o médico, o conhecimento existe.
- O desafio é oferecer tratamento [a todas] as pessoas.
Segundo o médico, estudos recentes mostram que se os cânceres de colo do útero, mama e intestino forem identificados na fase inicial, as chances de recuperação plena superam 90%. Buso lembra que a descoberta da doença é feita por meio de exames específicos para cada caso.

No que se refere ao câncer de mama, os exames indicados são a mamografia e o ultrassom. O câncer de colo do útero pode ser detectado por meio do chamado exame papanicolau, que consiste na coleta de material do colo uterino e análise feita em laboratório. No caso do câncer de intestino, o oncologista recomenda atenção ao surgimento de infecções e pólipos na região.

Na semana passada, o Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva) divulgou um estudo mostrando que a estimativa é que, apenas no próximo ano, 520 mil novos casos de câncer surjam no país. Pelo estudo, 18 tipos da doença são as que mais atingem os brasileiros.

O câncer de mama, com exceção do tumor de pele não melanoma (o mais agressivo), é o mais frequente em mulheres. Especialistas consideram que a amamentação, a prática de atividade física e alimentação saudável são fatores de proteção ao câncer. Nos homens, a incidência maior é de câncer de pele (não melanoma) seguido pelo câncer de próstata.

Em seu último estudo, publicado em 2009, o Inca previu que, em 2010, 490 mil pessoas seriam afetadas pela doença em todo o país. As estimativas de anos diferentes não podem, no entanto, ser comparadas, devido a diferenças metodológicas entre elas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sensor eletrônico detecta primeiros sinais de Alzheimer e Parkinson

Biossensor


          Cientistas estão testando uma nova tecnologia para detectar os primeiros sinais do Mal de Parkinson ou da doença de Alzheimer em seus estágios iniciais. A tecnologia usa um biossensor para medir minúsculas concentrações de agregados de proteínas no fluido cerebroespinhal.

        O aparelho, ainda em estágio de desenvolvimento, é um exemplo prático de um alerta feito recentemente por um grupo de cientistas de que já é possível fazer um diagnóstico precoce da doença de Alzheimer. Os cientistas foram além e estão estudando também os sinais iniciais de Parkinson.

Beta-amiloides e alfa-sinucleína

         As doenças neurodegenerativas são difíceis de diagnosticar em seus estágios iniciais porque apresentam sintomas muito similares. Entretanto, em um nível celular, agregados das proteínas beta-amiloides e alfa-sinucleína têm sido associados com Alzheimer e Parkinson, respectivamente, tendo-se revelado bons indicadores do surgimento dessas doenças. Shalini Prasad e seus colegas da Universidade do Texas (EUA) estão desenvolvendo seu sensor eletrônico para que ele seja capaz de detectar esses biomarcadores em baixíssimas concentrações, antes que eles induzam o aparecimento dos primeiros sintomas das doenças.

Nanomembrana

        O aparelho é feito de uma placa de circuito eletrônico recoberta por uma folha porosa de óxido de alumínio, uma nanomembrana, capaz de filtrar fluidos e reter as partículas de interesse. Os pesquisadores colocaram no interior fragmentos de anticorpos no interior dos poros da membrana, anticorpos que são específicos para os agregados de beta-amiloides ou alfa-sinucleína. Quando essas proteínas passam pela membrana de óxido de alumínio, elas se ligam aos anticorpos, alterando a capacitância da placa e produzindo um sinal que é mostrado pela parte eletrônica do circuito. O resultado sai em 15 minutos.

         Os cientistas agora estão trabalhando em uma versão do biossensor que consiga detectar vários biomarcadores e, a seguir, planejam colocá-lo em testes clínicos.

via: 
http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=sensor-eletronico-detecta-alzheimer-parkinson&id=7163

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Principais problemas que acometem a próstata

A próstata é uma glândula que tem o tamanho aproximado de uma castanha e produz o líquido espermático ou esperma, substância que contém nutrientes e serve de veículo para os espermatozoides chegarem até o óvulo. Ela se localiza muito perto da bexiga, um órgão muscular que se distende à medida que a urina se acumula em seu interior. Da bexiga sai a uretra, um canal longo que atravessa a próstata e o pênis até ganhar o meio exterior. A proximidade entre esses órgãos faz com que qualquer problema que afete a próstata acabe repercutindo na bexiga e na uretra.


Hiperplasia e câncer de próstata são patologias frequentes na vida adulta do homem. A hiperplasia caracteriza-se pela multiplicação benigna das células prostáticas. Quando isso acontece, o aumento da próstata comprime bexiga e uretra e provoca dois sintomas. O primeiro é a dificuldade para urinar. A pessoa é obrigada a fazer esforço para vencer a passagem comprometida pela compressão da glândula, o jato urinário fica mais fino e perde a potência. O segundo é a redução da capacidade de a bexiga reter urina. Quem tem hiperplasia de próstata urina com maior freqüência, especialmente à noite o que pode comprometer a qualidade do sono.

A hiperplasia é uma lesão benigna. Já no câncer de próstata, as células prostáticas perdem a inibição, crescem e invadem os tecidos vizinhos.  O câncer é um processo maligno que traz consigo uma série de outros problemas.

Como funciona a próstata no decorrer da vida do homem?
Miguel Srougi – A próstata é uma glândula que se situa na saída da bexiga e produz esperma, o líquido que transporta os espermatozoides até o meio exterior. Por isso, ela tem uma função biológica relevante na fase reprodutora do homem, naquela em que quer ter filhos. A partir dos 40 anos de idade, seu papel se transforma. Ela passa a ser um órgão indesejável por causa do crescimento benigno que ocorre em 80%, 90% dos homens adultos. Esse crescimento não provoca complicações mais sérias, mas prejudica a qualidade de vida em razão do aparecimento de transtornos para urinar.

A longevidade do sexo frágil

Os espécimes do chamado sexo forte morrem bem mais cedo do que as mulheres. A explicação tradicional para essa constatação demográfica tem sido a de que levamos vidas mais atribuladas e cheias de riscos do que elas. Afinal, em nossa história evolutiva, nós é que saíamos atrás da caça e declarávamos guerra aos inimigos para roubar-lhes os pertences e o território, enquanto elas permaneciam no aconchego das cavernas tomando conta dos filhos que trazíamos ao mundo.

O maior apego feminino à prole também costuma ser usado como justificativa evolucionista para o ganho de longevidade delas. No passado, levaram vantagem na seleção natural não apenas as mães que cuidaram bem de seus filhos, mas especialmente as que viveram mais tempo, entraram em menopausa e puderam ajudar na criação dos netos. Essas mulheres de vida mais longa teriam deixado mais descendentes, garantindo maior penetração de seus genes no “pool” genético das gerações futuras.

Embora avós carinhosas aumentem as chances de sobrevivência dos netos e os dados estatísticos mostrem que os homens têm maior probabilidade de morrer em desastres automobilísticos, em homicídios e em acidentes com armas de fogo, esses eventos não constituem explicação definitiva para a diferença de longevidade entre os dois sexos. A frequência de homicídios e de acidentes fatais começa a aumentar significativamente entre os homens a partir da puberdade, de fato, mas diminui a partir dos 30 ou 40 anos para se tornar praticamente igual à das mulheres depois dos 60 anos. Mesmo depois dessa idade, entretanto, continuamos a morrer mais cedo do que elas. Sarah Moore e Kenneth Wilson, da Universidade de Stirling, na Inglaterra, acabam de publicar um estudo na revista “Science” que acende outras luzes sobre o tema.

Depois de estudar a incidência de infestações por insetos, parasitas e doenças infecciosas em diversas espécies de mamíferos, os autores concluíram que, nos animais estudados, os machos apresentam maior suscetibilidade a doenças infecciosas e parasitárias do que as fêmeas.

E, mais, que tal suscetibilidade é consequência do dimorfismo sexual, isto é, do tamanho avantajado que os machos costumam atingir em relação às fêmeas na maioria das espécies dos animais que, como nós, mamam quando filhotes.

Na evolução das espécies, o dimorfismo sexual existente entre machos grandes e fêmeas de tamanho menor é indicativo de intensa disputa masculina pelo privilégio do acasalamento no passado. A explicação é simples: nos combates intra-sexuais, para atrair a atenção feminina, os machos mais fortes levaram vantagem seletiva e transmitiram a seus filhos genes que lhes garantiram portes avantajados. As fêmeas, por sua vez, sempre interessadas nos machos mais poderosos, capazes de lhes garantir a sobrevivência da prole, contribuíram decisivamente para a perpetuação dessa característica masculina.

Os dados obtidos por Moore e Wilson demonstraram que a maior fragilidade dos machos diante dos parasitas é regra geral entre os mamíferos e que ela adquire proporções extremas nas espécies em que a competição intra-sexual na disputa pelas fêmeas é mais feroz.

Os dados demográficos humanos dão suporte às conclusões dos pesquisadores ingleses. No Japão, na Inglaterra e nos Estados Unidos, a vulnerabilidade dos homens à morte, causada por doenças parasitárias, é o dobro daquela encontrada nas mulheres. Um estudo conduzido no Cazaquistão e no Azerbaijão mostrou que, nesses países, essa proporção aumenta para quatro vezes.

A explicação mais imediata para a fragilidade do sexo forte em relação aos agentes parasitários e infecciosos é a de que a testosterona, o hormônio sexual masculino, provoca depressão imunológica. Um trabalho clássico, publicado há mais de 30 anos, mostrou que os homens castrados vivem em média 15 anos mais do que os não-castrados e que, quanto mais precoces forem quando sofrerem a castração, maior será a sua longevidade.

O mecanismo pelo qual a testosterona deprime a imunidade é mal conhecido. Talvez por gastarem energia em excesso para construir e manter um sistema músculo-esquelético que imponha respeito aos rivais, os machos sejam obrigados a desviar a energia que seria utilizada por outros sistemas orgânicos. Com seus bilhões de células que exigem alta demanda energética para trabalhar orquestradamente, o sistema imunológico pode se ressentir dessa oferta diminuída e da disponibilidade de micronutrientes essenciais.

A espécie humana apresenta evidente dimorfismo sexual. A testosterona que começou a jorrar na circulação de nossos ancestrais à época da puberdade deles tornou-os mais fortes e violentos para competir pelo interesse feminino, sempre voltado à preservação da prole. A energia consumida pelo organismo para torná-los maiores e assegurar a transmissão de seus genes às gerações que os sucederam faz falta até hoje para enfrentarmos míseros parasitas microscópicos.

Por ironia das forças naturais que selecionaram os genes de nossos antepassados, continuamos maiores e fadados a morrer mais cedo do que nossas mulheres, mesmo agora, quando a maioria delas já perdeu o interesse pela força bruta.

Extraído de http://drauziovarella.com.br/saude-da-mulher/a-longevidade-do-sexo-fragil/

Câncer provocado pelo cigarro é o segundo que mais atinge os homens no Brasil

24 mil casos da doença seriam evitados se os homens largassem o cigarro

Atrás apenas do câncer de próstata, os tumores de pulmão, traqueia ou brônquio são os que mais afetam os homens brasileiros, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva). 

O instituto prevê que o país terá 17.210 diagnósticos de câncer de pulmão, traqueia ou brônquio no ano que vem. Isso porque, de acordo com Inca – 90% dos casos estão relacionados ao uso do cigarro. Isso quer dizer que os homens poderiam reduzir significativamente a incidência do tumor de pulmão se deixassem de fumar. A estimativa é de que 24 mil novos casos seriam evitados todo ano. 

A região Sul é a campeã do país, com 37 registros de câncer de pulmão para cada 100 mil habitantes. O pneumologista da Divisão de Controle de Tabagismo do Inca, Ricardo Meirelles, disse em comunicado que a explicação está na quantidade de fumo que é produzida pelos Estados sulistas. 

Para ele, “o fato pode estar diretamente relacionado ao alto consumo de derivados do tabaco, fazendo com que a região sofra com os altos índices de incidência de câncer de pulmão”. 

A forma como o cigarro influencia no caso deste câncer fica ainda mais clara quando comparamos com as mulheres. O tumor de pulmão, traqueia ou brônquio é apenas o quinto mais incidente na população feminina brasileira.

Estimativa do número de casos novos, segundo sexo, Brasil, 2012
Localização PrimáriaCasos novos%
Próstata60.18030,8
Traqueia, Brônquio e Pulmão17.2108,8
Cólon e Reto14.1807,3
Estômago12.6706,5
Cavidade Oral9.9905,1
Esôfago7.7704
Bexiga6.2103,2
Laringe6.1103,1
Linfoma não Hodgkin5.1902,7
Sistema Nervoso Central4.8202,5
Leucemias4.5702,3
Pele Melanoma3.1701,6
Outras Localizações43.12022,1
Todas as Neoplasias sem pele* 195.190 
Todas as Neoplasias257.870 
Localização PrimáriaCasos novos%
Mama feminina52.68027,9
Colo do útero17.5409,3
Cólon e Reto15.9608,4
Glândula Tireoide 10.5905,6
Traqueia, Brônquio e Pulmão10.1105,3
Estômago7.4203,9
Ovário6.1903,3
Corpo do útero4.5202,4
Linfoma não Hodgkin 4.4502,4
Sistema Nervoso Central4.4502,4
Cavidade Oral4.1802,2
Leucemias3.9402,1
Pele Melanoma3.0601,6
Bexiga2.6901,4
Esôfago2.6501,4
Outras Localizações38.72020,5
Todas as Neoplasias sem pele* 189.150 
Todas as Neoplasias260.640 
*Todas as neoplasias, exceto pele não melanona
MS/INCA/ Estimativa de Câncer no Brasil, 2011/ MS/INCA/Conprev/Divisão de Informação e Análise de Situação

Câncer de próstata e mama 

No entanto, os casos de câncer de pulmão representam apenas 8,8% do número total de homens com a doença no país. O tumor de próstata é disparado o que mais afeta os homens no Brasil, representando 30,8% dos casos. O Inca estima que cerca de 60 mil pessoas vão ser diagnosticas com tumor na próstata em 2012. 

No caso das mulheres, o câncer mais frequente é o de mama. Mais de 50 mil brasileiras terão o tumor no próximo ano, de acordo com as estimativas do Inca. 

Esse tipo de câncer responde por 27,9% de todos os casos da doença para o sexo feminino. Isso acontece no mundo todo - o tumor afeta as mulheres principalmente, em países desenvolvidos e com mais de 50 anos de idade. 

A estimativa de casos novos de câncer para ambos os sexos em 2012 é bem parecida com a deste ano. Para 2012, o Inca prevê que quase 258 mil homens e pouco mais de 260 mil mulheres terão câncer. 

Ou seja, cerca de 520 mil brasileiros serão diagnosticados com a doença no ano que vem. A previsão é um pouco maior do que a estimativa feita pelo instituto para 2011. No ano passado, o Inca previa que o número de novos casos chegaria a 489 mil.