terça-feira, 25 de setembro de 2012

Idosos sofrem com a perda de audição



A população está ficando cada vez mais velha, mudando o desenho da pirâmide etária. Em 1960, aproximadamente 4,7% dos brasileiros tinham 60 anos ou mais, percentual que corresponde a cerca de 3,3 milhões de pessoas. Em 2010, este número passou dos 20 milhões, o equivalente a 10,8% da população brasileira. Os dados são dos censos demográficos de 1960 e de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os idosos têm até uma data especial para comemorar – o Dia Internacional da Terceira Idade, celebrado no dia 1º de outubro.

O passar dos anos proporciona acúmulo de experiências e conhecimento e o ser humano passa por um processo natural de envelhecimento físico. Cada órgão é afetado de uma maneira diferente, mas todo o corpo passa pelas mudanças ditadas pelo relógio biológico. “A genética, o ambiente, a alimentação e as emoções influenciam o envelhecimento, acelerando ou retardando este processo. A audição é um dos sistemas que são alterados com o envelhecimento”, afirma a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.

A deficiência auditiva na terceira idade é conhecida como presbiacusia. A partir dos 50 anos, as células auditivas começam a encerrar seu ciclo de vida e o organismo não é capaz de repor as unidades celulares que morreram. O resultado é perda de audição. “A perda é progressiva e ocorre de maneira lenta. Se estiver associado a outras doenças ou a hábitos que causam danos aos ouvidos, como a exposição intensa a ruídos, o uso de fones de ouvido ou de medicamentos tóxicos a audição, o quadro pode avançar para surdez”, explica.

O ouvido possui a parte externa, a média e a interna. A externa é composta pela orelha, pelo canal auditivo e pela membrana do tímpano. A abertura da tuba auditiva, o martelo, a bigorna e o estribo ficam localizados no ouvido médio. O labirinto, formado pela cóclea e pelo vestíbulo, fica na parte interna. “Dentro do labirinto há um líquido chamado endolinfa, que se movimenta e estimula as células sensoriais. Os estímulos servem para informar a posição do corpo no espaço. Quando as vibrações do ar chegam à cóclea, elas são transformadas em impulsos nervosos”, esclarece.

Os impulsos passam pelo nervo auditivo e são enviados até o cérebro, responsável pela decodificação dos sinais e interpretação dos sons. Quando os sons não são ouvidos perfeitamente, há perda de audição, que pode ser classificada em leve, moderada e severa. “Os sons abaixo da faixa dos 40 decibéis não são detectados na perda leve e o indivíduo tem dificuldade para compreender a fala de outras pessoas. No nível moderado, a perda exige o uso de aparelho auditivo, já que os ouvidos não são capazes de ouvir sons abaixo de 70 decibéis”, ressalta.

Quando não é possível ouvir barulhos abaixo de 90 decibéis, a perda é severa e em alguns casos o aparelho auditivo não é suficiente para compensar o problema, sendo necessário o uso de linguagem gestual. Na perda profunda, o ouvido não capta os sons e a comunicação é feita por meio de leitura labial e gestos. “Ter uma boa audição é fundamental para a comunicação e para a segurança de uma pessoa, já que os sons também servem como sinal de alerta contra perigos. Os idosos com deficiência auditiva tendem a se isolar e a evitar participação na vida social”, observa.

Os principais sintomas da presbiacusia são dificuldades para entender sons agudos, distinguir as letras “s“, “th” “z”, “f”, “v”, “t” e “d”, maior facilidade para ouvir as vozes masculinas do que as femininas e zumbido. “A principal causa de zumbido é a perda de audição. Ao tratar a deficiência auditiva é possível promover qualidade de vida ao paciente, que além de ouvir melhor, conseguirá perceber menos o ruído. A realização de testes auditivos ajuda a identificar o tipo e o grau da perda, possibilitando o diagnóstico correto. O tratamento precoce é importante, pois evita que a situação se agrave”, acrescenta.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Uso de chupeta atrapalha desenvolvimento emocional dos meninos




O uso de chupeta na infância pode atrapalhar o desenvolvimento emocional dos meninos, segundo estudo realizado na Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA.

O trabalho sugere que a chupeta impede que os bebês experimentem diferentes tipos de expressões faciais durante a infância e que isso tem consequências psicológicas mais tarde na vida, inclusive nas medidas de maturidade emocional.

Os seres humanos de todas as idades, muitas vezes imitam, inadvertidamente ou não, as expressões e linguagem corporal das pessoas ao seu redor. "Ao refletir o que a outra pessoa está fazendo, você cria uma parte do sentimento. Essa é uma das maneiras de entender o que alguém está sentindo e pode ser uma ferramenta de aprendizagem importante para os bebês", afirma a autora da pesquisa Paula Niedenthal.

Segundo Niedenthal, quando falamos com as crianças, inicialmente, elas não entendem o significado das palavras. Assim, a maneira como nos comunicamos com elas em primeiro lugar é usando o tom de voz e as expressões faciais. "Com uma chupeta na boca, um bebê é menos capaz de se espelhar nas expressões e entender as emoções que elas representam", explica a pesquisadora.

O efeito é semelhante ao observado em estudos de doentes que receberam injeções de Botox para paralisar os músculos faciais e reduzir rugas. Usuários de Botox experimentam uma estreita gama de emoções e muitas vezes têm dificuldade em identificar as emoções por trás das expressões nos rostos das outras pessoas.

"Esse trabalho nos levou a pensar em períodos críticos de desenvolvimento emocional, como a infância. E se a criança sempre teve algo em sua boca que a impediu de imitar e entender a expressão facial de alguém?, questiona Niedenthal.

Os pesquisadores descobriram que meninos entre seis e sete anos de idade, que passaram mais tempo com chupeta na boca na infância eram menos propensos a imitar as expressões emocionais de rostos mostrados em um vídeo.

Em idade universitária, homens que relataram (por suas próprias lembranças ou de seus pais) maior uso de chupeta quando criança obtiveram menores pontuações em testes comuns de tomada de perspectiva, um componente da empatia e se saíram pior em testes que consistiam em tomar decisões com base na avaliação do humor de outras pessoas.

Os testes não encontraram efeitos do uso de chupeta para as meninas. "As meninas se desenvolvem mais cedo, em muitos aspectos e é possível que elas façam progressos suficientes no desenvolvimento emocional antes ou apesar do uso da chupeta. Pode ser que os meninos sejam simplesmente mais vulneráveis que as meninas, e que interromper o uso da mímica facial é prejudicial apenas para eles", observa Niedenthal.

De acordo com os pesquisadores, os resultados são sugestivos e devem ser levados a sério. No entanto, eles ressaltam que mais trabalho precisa ser feito.

Viahttp://www.isaude.net/pt-BR/noticia/30968/geral/uso-de-chupeta-atrapalha-desenvolvimento-emocional-dos-meninos