
Além dos tratamentos tradicionais, pesquisas recentes comprovam que o estado de espírito é um fator fundamental no combate ao câncer. De acordo com elas, o otimismo é capaz de aumentar o número de células imunológicas. A ideia é defendida no livro "Anticâncer" (Fontanar, 2011), do médico francês David Servan-Schreiber.
O volume, em nova edição, atualizada e estendida, lançada em julho, reúne conhecimentos em torno da prevenção e do combate à doença e traduz o "mediquês", tornando as informações em torno do assunto mais acessíveis.
No capítulo destinado às relações entre os sentimentos e o corpo, o especialista mostra que a sensação de impotência e a depressão ajudam no crescimento e na piora da doença. O autor, que superou um tumor na cabeça, dá sugestões de como é possível manter a esperança mesmo com o diagnóstico positivo.
Entre os assuntos com novas abordagens nesta edição, estão os riscos trazidos pelo uso de telefone celular e como é possível evitá-los, assim como o de produtos de higiene pessoal e materiais de limpeza.
O especialista também fala sobre as toxinas presentes nos plásticos e faz recomendações sobre beber vinho e chá verde. Em uma seção com páginas especiais, ele lista os alimentos que tem propriedades preventivas.
O volume traz imagens e infográficos explicativos. Também reúne informações sobre como a vitamina D3 ajuda no retardamento do câncer e como consegui-la nos níveis adequados, assim como elenca técnicas para manter mente e corpo equilibrados e mostra como é possível superar as recaídas.
Leia trecho de "Anticâncer".
*
Nós vimos no capítulo 4 que os camundongos descendentes de "Super-Mouse", capazes de mobilizar totalmente suas células imunolígicas, são resistentes ao câncer, inclusive quando lhes injetam doses maciças de células extremamente agressivas. Dentro do mesmo espírito, no Instituto Nacional do Câncer (Estados Unidos), o laboratório do professor Ron Herberman (que dirige agora o Instituo de Oncologia da Universidade de Pittsburgh) mostrou, em mulheres que foram operadas de câncer de mama, que quanto mais as células NK estiverem ativas nas semanas que se seguem à operação, melhores serão as chances de sobrevida a longo prazo.
O professor Herberman também demonstrou que as mulheres com câncer de mama que conseguem enfrentar melhor a doença psicologicamente tinham muito mais celular NK do que as que afundavam na depressão e na impotência. Em 2005, a dra. Susan Lutgendorf, da Universidade de Iowa, confirmou esses resultados em mulheres com câncer de ovário. As que se sentiam amadas e apoiadas e que mantiveram o estado de espírito otimista tinham mais células combativas NK do que as que se sentiam solitárias, impotentes e emocionalmente abaladas.
Tudo se passa como se os glóbulos brancos do sistema imunológico - como as células NK e os linfócitos T e B - fossem sensíveis ao sentimento de impotência (uma convicção de que nada pode ser feito para superar a doença) e à perda do desejo de viver recorrente dele. Nos ratos de Martin Seligman submetidos a choques elétricos de que eles não podiam se esquivar, a impotência se manifestava por sintomas muito próximos dos que se observavam em humanos traumatizados: parecem perder toda a confiança em si e ficam inertes diante de todas as outras situações difíceis: em situação de competição, mostram-se submissos e passivos, não mais se defendendo sequer quando são agredidos. É precisamente nessas circunstâncias que seu sistema imunológico abaixa a guarda.
Tudo se passa como se o estado emocional que pode ser observado externamente, por meio do comportamento do indivíduo, se refletisse identicamente no comportamento interno das células imunológicas. Quando o rato - ou a pessoa - desiste, com a sensação de que a vida não vale mais a pena ser vivida, o sistema imunológico entre os pontos também.
Inversamente, encontrar em si o desejo de viver assinala uma virada decisiva no curso da doença.
Nenhum comentário:
Postar um comentário