Você
tem fome do quê? Será de carinho, prazer, atenção ou reconhecimento?
Pensamentos do tipo “estou com fome, mas não sei do quê”, “não quero
comer arroz e feijão, estou com fome de alguma coisa gostosa”, “vou
jantar lasanha” são indicadores de que a fome está em algum fator
emocional, e não no estômago. Por não saber esta diferença e comer mais
do que organismo necessita, muitas pessoas sofrem as consequências do
ganho de quilos a mais e todos os malefícios que surgem agregados ao
sobrepeso e à obesidade.
Dentre todas as batalhas contra os
números da balança, a de seguir uma alimentação equilibrada e saudável
costuma ser a mais difícil, pelo fato de a comida ser comumente
associada a fatores emocionais e culturais que facilmente boicotam a
“força de vontade” do indivíduo.
Segundo a psicóloga Sandra Aurea Hamzeh,
o ato de comer se torna um reflexo de frustrações, substitutivos às
soluções de problemas diários e tomadas de decisões, para se tornarem
compensação e alívio, entre outros. Frases que ouvimos desde criança de
que prato farto é garantia de saúde, que criança que come pouco é
desnutrida, associados aos traumas e insatisfações emocionais que vamos
adquirindo ao longo da vida, são as molas propulsoras para a ingestão de
alimentos que vão além da necessidade de suprir nossa combustão diária
de energia.
Para todos os casos, algumas dicas práticas para o dia a dia. Confira:
- Antes de começar qualquer dieta, tenha uma meta clara e definida com relação ao processo de emagrecimento e resultados esperados para que você se mantenha envolvido no compromisso. O que vale mais, a satisfação de uma batata frita no curto prazo ou o seu corpo mais esbelto e sadio num futuro próximo?
- Comunique as pessoas de seu convívio sobre sua decisão de emagrecer e explique o método que escolheu. Isso ajudará você a receber apoio e suporte externo, no caso de passar por momentos de instabilidade durante o processo.
- Antes de iniciar qualquer refeição, se desligue dos problemas e não leve sentimento de raiva, tristeza e outras emoções negativas para a mesa. Não contamine o seu momento de equilíbrio e de saúde. Faça um exercício de respiração e mentalize sua meta.
- Mantenha-se focado durante a alimentação, prestando atenção na montagem e organização do prato, nas cores da comida, cheiro, assim como na mastigação e degustação dos sabores. Aproveite cada instante para saciar todos seus sentidos.
- Ao final de cada dia, faça uma breve revisão do que foi sentido e procure recordar-se das emoções mais presentes, analisando o que de fato lhe interessa guardar e “carregar” para o dia seguinte. Sobrecarregar-se sem necessidade pode gerar muita ansiedade e desconforto. A higiene mental diária pode ser a chave para manter-se sobre o controle de suas emoções.
- Parabenize-se pelas vitórias do dia, por cada hábito positivo que conseguiu implantar em sua vida e por mais um degrau avançado rumo a sua meta.
“A alimentação não pode ser considerada o problema, mas que devemos analisar a função em que ela é colocada em nossas vidas. Para evitar que o impulso fale mais alto, é preciso fazer uma profunda reflexão do que realmente temos fome”, finaliza Sandra.

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