quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Alimento certo ajuda a previnir doenças crônicas

Alimento certo ajuda a previnir doenças crônicas

Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não-Transmissíveis terá como meta evitar o aumento da obesidade e incentivar a inclusão de frutas e hortaliças nas refeições diárias

Resistir a frituras, refrigerantes e massas é uma tarefa difícil para milhares de brasileiros que combinam uma dieta tradicional, baseada no arroz e feijão com alimentos compostos por baixo teor de nutrientes e alto conteúdo calórico. Aliado ao crescente consumo de refrigerantes e refrescos, está à ingestão reduzida de frutas, verduras e legumes.

PlanoSegundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, apesar de haver uma ingestão satisfatória de proteínas, a prevalência de consumo excessivo de açúcares foi observada em 61% da população, já a de gorduras saturadas, em 82% das pessoas. O consumo insuficiente de fibras foi observado em 68% dos brasileiros.

A maior preocupação está entre os adolescentes, que tem apresentado alto consumo de gorduras trans, saturadas, sódio e açúcar que podem levar ao excesso de peso e obesidade. Dados da POF 2008-09 mostram que 12% dos brasileiros estão obesos.

Para controlar e reduzir o excesso de peso, obesidade e promover a alimentação saudável, o Ministério da Saúde apresenta à sociedade o Plano de Ações Estratégicas de Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) que traz como metas, para os próximos dez anos, elevar o consumo de frutas e hortaliças, reduzir o consumo médio de sal da população brasileira, aumentar a atividade física no lazer e a implementação do Plano Intersetorial de Obesidade, que buscará reduzir ao excesso de peso e a obesidade na infância, na adolescência e na vida adulta.

O Plano de Enfrentamento das DCNT, também, tem como objetivo promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e o controle das DCNT e seus fatores de risco e fortalecer os serviços de saúde voltados às doenças crônicas.

Para a coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Jaime, esse cenário é preocupante uma vez que se observa o crescimento da obesidade no Brasil, associada, entre outros fatores, à má alimentação. “A população precisa criar o hábito de fazer três refeições e um lanche nos intervalos, buscando o consumo de frutas, verduras e legumes no lugar de alimentos processados. Ter cuidados com a alimentação reduz o aparecimento de doenças precoces como hipertensão e diabetes. E o Plano vem ao encontro dessa preocupação com a saúde dos brasileiros”, destaca.


Ações propostas pelo Plano - Alimentação:
- Implementar os guias alimentares para fomentar, em todos os ciclos da vida, escolhas saudáveis relacionadas à alimentação;
- Apoiar a implementação dos parâmetros nutricionais do Programa de Alimentação do Trabalhador, com foco na alimentação saudável e na prevenção de DCNT no ambiente de trabalho;
- Promover a aquisição de alimentos saudáveis para o Programa Nacional de Alimentação Escolar, de forma a respeitar as diferenças biológicas entre faixas etárias e condições alimentares que necessitem de atenção especializada;
- Articular ações de capacitação e de educação permanente dos profissionais de saúde, em especial na Atenção Primária em Saúde, com foco na promoção da alimentação saudável;
- Formular a orientação técnica para a aquisição dos alimentos oriundos da agricultura familiar, conforme o Art. 14 da Lei 11.947/2009 – Atendimento da Alimentação Escolar;
- Promover ações de educação alimentar e nutricional e de ambiente alimentar saudável nas escolas, no contexto do Programa Saúde na Escola;
- Elaborar e implementar programas de educação alimentar e de nutrição, articulando diferentes setores da sociedade;
- Fortalecer a promoção da alimentação saudável na infância, por meio da expansão das redes de promoção da alimentação saudável voltadas às crianças menores de dois anos (Rede amamenta Brasil e Estratégia Nacional de Alimentação Complementar Saudável);
- Fortalecer o projeto Educanvisa como estratégia de promoção da alimentação saudável;
- Elaborar Guia de Boas Práticas Nutricionais para Alimentação Fora de Casa, destinado a orientar pequenos comércios e serviços sobre o preparo e a oferta adequada e saudável dos alimentos oferecidos para refeições de rua;
- Estimular o consumo de alimentos saudáveis, como frutas, legumes e verduras;
- Ordenar e fomentara a aqüicultura familiar, visando ao aumento da produção e oferta de alimentos (pescado e algas) para uma alimentação saudável;
- Estimular a produção de alimentos de bases limpas (orgânicos, agroecológicos), em articulação com os programas facilitadores da produção de alimentos saudáveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário;
- Criar protocolo de ações de educação alimentar e nutricional para as famílias beneficiárias dos programas socioassistenciais, integrando redes e equipamentos públicos e instituições que compõem o Sisvan.

Iniciativas para reduzir quantidades de sal nos alimentos
O consumo diário de sal no Brasil atualmente é de 12 gramas, enquanto o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de apenas 5 gramas. Além da adição de sal no preparo e consumo dos alimentos dentro e fora do domicílio, inúmeros produtos chegam às gôndolas dos supermercados com excesso de sal e são prejudiciais para uma alimentação saudável.

A situação é preocupante principalmente entre os adolescentes: a ingestão elevada de sódio foi observada em mais de 90% na faixa etária de 14 a 18 anos. São eles que mais consomem alimentos como pizza, embutidos, chips, biscoitos recheados e refrigerantes, considerados moderadores negativos. O consumo desses alimentos contribui para a ingestão excessiva de sódio.

Em abril, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação Brasileira (ABIA) assinou um termo de compromisso com o Ministério da Saúde, que prevê a redução gradual na quantidade de sódio presente nas 16 categorias de alimentos que mais contribuem para o consumo de sódio na população, definindo o teor máximo de sódio a cada 100 gramas em alimentos industrializados.

Está previsto alcançar os níveis mínimos de sódio nesses alimentos até 2020, com metas intermediárias a cada dois anos. Algumas metas já pactuadas devem ser cumpridas pelo setor produtivo até 2012 e aprofundadas até 2014. No caso das massas instantâneas, por exemplo, a diminuição anual será de 30% e, para bisnaguinhas e pães de forma, foi pactuada redução de 10% ao ano no teor máximo de sódio. Pão francês, bolos, misturas para bolos e snacks (salgadinhos, batatas fritas) são os próximos itens a entrarem na pauta de negociação de redução da quantidade de sódio.

Patrícia explica que a população em geral, além de ingerir sal em excesso, está substituindo alimentos básicos pelos processados, e consumindo menos frutas e verduras do que é recomendado para uma alimentação balanceada e rica em micronutrientes.

“Nosso objetivo é fazer com as pessoas consumam menos sal e alimentos ricos em energia e pobres em nutrientes. Além de consumir mais alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais, pois o consumo elevado de sal, gorduras e açúcares está associado a uma série de doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, problemas renais e cânceres”, explica a coordenadora.

Outra iniciativa para promover a saúde é a campanha "Menos Sal. Sua Saúde Agradece", lançada em julho. A proposta, resultado da parceria do Ministério da Saúde com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), busca conscientizar a população em relação aos malefícios do sal, trazendo orientações para o uso racional, como a retirada do saleiro da mesa e o uso de temperos naturais. Outro alerta é para o uso da rotulagem nutricional que busca orientar as escolhas de alimentos processados.

61,3% da população consomem açúcar em excesso
O consumo excessivo de açúcar é um grande aliado para o aparecimento da diabetes entre os brasileiros. De acordo com a POF 2008-2009, 61,3% da população consomem açúcar de forma exagerada. A média de energia diária proveniente do açúcar livre para cada pessoa foi 14% do total, quatro pontos percentuais acima do máximo recomendado – mais de 10% é considerado "consumo excessivo". Entre os altos níveis de inadequação na ingestão de açúcar, mais uma vez estão os adolescentes: 74% dos meninos e 83% das meninas entre 14 e 18 anos consomem mais açúcar do que o recomendado.

"Os alimentos ricos em açúcares e gorduras estão substituindo, em muitos casos, o consumo de itens importantes para uma alimentação saudável", explica Patricia Jaime. "Esse consumo excessivo está associado ao desenvolvimento de cáries dentárias e à obesidade. Também há evidências que apontam para a relação entre esse consumo com outras doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes", alerta.

Além de ações nas escolas, a partir do Programa Saúde na Escola, o Ministério da Saúde tem investido na qualificação de profissionais da atenção básica, com inclusão de nutricionistas nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Hoje, mais de 17 mil unidades básicas contam com profissionais de nutrição e educação física, aptos a orientar os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa Farmácia Popular/Saúde Não Tem Preço disponibiliza remédios para o tratamento de diabetes (insulinas, hipoglicemiante, estatina, entre outros).

Dieta rica em gordura preocupa
Os brasileiros estão consumindo cada vez mais gorduras. A ingestão diária de colesterol é maior em homens do que em mulheres e supera os 200 mg para todas as regiões e idades (exceto as idosas). O público jovem consome entre 10% e 15% mais gorduras do que os adultos.

Na questão das gorduras trans, a meta da Organização Pan Americana da Saúde (Opas), prevista no documento “As Américas Livres de Gorduras Trans (AGT) – Declaração do Rio de Janeiro”, é que os AGT de produção industrial deveriam ser substituídos nos alimentos processados e que sua presença não deve ser maior do que 2% do total de gorduras em óleos e margarinas; e não maior do que 5% do total de gorduras em alimentos processados.

Em novembro de 2010, a ABIA apresentou ao Ministério da Saúde uma pesquisa realizada com 135 empresas representativas de 73% da produção de alimentos do Brasil, em 12 categorias de alimentos. Segundo essa avaliação, houve média de 93,4% de alcance da meta. Isso representou a retirada de 250 mil toneladas de gorduras trans dos alimentos processados, segundo estimativas das indústrias.
Patrícia Jaime destaca a importância de valorizar o consumo de alimentos tradicionais, como o arroz e o feijão, e complementá-los com outros alimentos naturais ou minimamente processados, como frutas, verduras, leguminosas, leite, grãos integrais, oleaginosas e peixes nas refeições.

Categorias de produtos que reduziram a quantidade de gordura trans:
- Snacks = alcance da meta em 100% dos produtos (que representam 77% do mercado brasileiro)
- Massas instantâneas = alcance da meta em 100% dos produtos (que representam 90% do mercado brasileiro)
- Óleos = alcance da meta em 96% dos produtos (que representam 65,9% do mercado brasileiro)
- Pratos prontos = alcance da meta em 91,7% dos produtos (que representam 90,7% do mercado brasileiro)
- Biscoitos = alcance da meta em 87,7% dos produtos (que representam 60,9% do mercado brasileiro)

Serviço
GUIA ALIMENTAR -
O Ministério da Saúde disponibiliza o Guia Alimentar para a População Brasileira, disponível no Portal da Saúde. A publicação traz diretrizes específicas para incentivar o consumo de alimentos saudáveis e orientações sobre as refeições. A recomendação é que se faça pelo menos três refeições diárias, intercaladas por lanches. Outras diretrizes explicam os diferentes grupos alimentares e os principais nutrientes.

Via: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/index.cfm?portal=pagina.visualizarNoticia&codConteudo=2072&codModuloArea=162&chamada=alimento-certo-ajuda-a-previnir-doencas-cronicas

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