quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma em cada vez meninas atendidas na rede pública sofre de DST causada por bactéria

Infecção por clamídia deixa pessoas mais vulnerável ao HIV

Um estudo nacional realizado pelo Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo indica que uma em cada dez jovens brasileiras atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) tem clamídia, uma doença transmitida durante relações sexuais.

A doença, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, pode infectar homens e mulheres e ser transmitida da mãe para o bebê durante o parto.

Ao todo, 2.071 jovens, entre 15 e 24 anos, atendidas nas unidades do SUS nas cinco regiões do país (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul, Centro-Oeste), participaram do estudo.

A incidência de clamídia entre as jovens avaliadas foi de 9,8%, sendo que 4% delas também tiveram resultado positivo para infecção por gonorreia.

A infecção atinge especialmente a uretra e órgãos genitais, mas também pode atingir a região anal, a faringe e ser responsável por doenças pulmonares. Se não tratada, é uma das causas da infertilidade masculina e feminina, e pode aumentar de três a seis vezes o risco da infecção pelo HIV.

O médico Valdir Monteiro Pinto, coordenador do estudo no CRT/DST-Aids, diz em nota que “a mulher infectada pela Chlamyda trachomatis durante a gestação está mais sujeita a partos prematuros e a abortos”.

– Nos casos de transmissão vertical, na hora do parto, o recém-nascido corre o risco de desenvolver um tipo de conjuntivite e pneumonia.

Ele afirma que até 80% das mulheres e até 50% dos homens infectados não apresenta sintomas da doença. Quando eles aparecem, podem ser parecidos nos dois sexos, diz.

– Dor ou ardor ao urinar, aumento do número de micções [urinar muitas vezes], presença de secreção fluida. As mulheres podem apresentar, ainda, perda de sangue nos intervalos do período menstrual, dor às relações sexuais, dor no baixo ventre e doença inflamatória pélvica.

Não existe vacina contra a clamídia. De acordo com a secretaria, a” única forma de prevenir a transmissão da bactéria é o sexo seguro com o uso de preservativos”.

– Uma vez instalada a infecção, o tratamento deve ser realizado com o uso de antibióticos específicos e deve incluir o tratamento do parceiro ou parceira para garantir a cura e evitar a reinfecção.

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