segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ansiedade e os transtornos mentais


Ansiedade e os transtornos mentais


Autor: Comunicação Minas Saúde
Foto: Montagem
Os transtornos de ansiedade, como o próprio nome diz, envolvem algum tipo de manifestação com grande carga de ansiedade. Esse estado emocional e a sensação de apreensão, medo, temor e outras reações são experimentados junto a reflexos físicos e mentais. O indivíduo passa a sentir, por exemplo, perturbações no sono, forte sudorese, dor no peito, entre outras reações, e entrar num ritmo de contínuo estresse.

A ansiedade funciona como disparo de um sentimento desagradável, um alerta, espécie de sobrecarga de uma reação natural de defesa, proteção e autopreservação. Embora não seja tido como um estado normal, é considerada uma reação natural, em determinadas situações (véspera de uma prova, durante um assalto, etc). No caso dos transtornos, sua duração vai além do esperado e pode representar causa de sofrimento mental por vários anos. Além disso, não é incomum que os transtornos apareçam associados a outros sintomas, como a depressão, por exemplo.

De acordo com a professora do departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, a psiquiatra Tatiana Mourão, um bom exemplo para caracterizar um transtorno de ansiedade é a sensação de alarme, mesmo quando não há perigo real. Embora tenham características específicas, os transtornos têm, em comum, a interferência no ritmo de vida e o abandono de algumas situações e atividades anteriormente praticadas. “O tratamento sugerido para a síndrome do pânico, agorafobia e transtorno de ansiedade generalizada é parecido, com o suporte de medicamentos e também da psicoterapia cognitiva ou cognitiva comportamental”, destaca Tatiana. Em geral, a ansiedade pode ser controlada com medicamentos como antidepressivos e ansiolíticos, devidamente prescritos por um psiquiatra.

Existem, ainda, algumas variações quanto à cura ou persistência do problema. Segundo a especialista, há casos em que o paciente consegue superar o transtorno e manter uma rotina sem crises. “Nesse sentido, o enfrentamento de situações e dos desencadeadores de ansiedade, quando identificados, é muito importante para que o paciente retorne ao seu ritmo normal”, completa. No entanto, não estão descartados também os casos em que o transtorno de ansiedade é crônico e uma companhia indesejável, a ser administrada ao longo da vida do paciente.

Dores no peito, falta de ar, medo e até uma hipótese de hérnia de hiato fizeram parte da rotina da comerciante Sebastiana Cunha de Oliveira, até que pudesse compreender que estava sob os efeitos de um transtorno de ansiedade. Sebastiana, que realiza o controle permanente de uma síndrome do pânico há 10 anos, teve sua primeira crise durante uma viagem de automóvel para o Rio de Janeiro. “Quando senti o problema pela primeira vez, procurei por vários médicos. Foi um período de muita apreensão, pois não sabia exatamente que doença tinha, nem os médicos consultados chegavam a alguma conclusão”, revela.

Com o medo e a apreensão repentinos, evitou sair de casa por algum tempo e ainda hoje evita determinadas situações que a lembram do ocorrido. Somente com o auxílio médico e psicológico foi perdendo o medo de sair e voltou a enfrentar a rotina social e de trabalho. “Minha dica é para que a pessoa procure um psiquiatra e o tratamento adequado”, destaca a comerciante.

É importante lembrar que alguns medicamentos utilizados pelos psiquiatras podem demorar a fazer o efeito desejado, passando de um estágio de piora para depois obter resultados positivos. Por isso, quanto mais cedo for iniciado o tratamento, menor será o sofrimento e também a possibilidade de abandono das medicações.

Diferenças

Embora tenham a ansiedade como ponto de partida, a síndrome do pânico, o distúrbio de ansiedade generalizada e a agorafobia têm algumas características particulares. De acordo com a professora Tatiana Mourão, a síndrome do pânico pode ser descrita pela ocorrência repentina, frequente e abrupta de ansiedade. Seus sintomas costumam ser parecidos com os provocados por problemas cardíacos (dor no peito, falta de ar). Por essa razão, é comum que o paciente procure, inicialmente, orientação de um cardiologista. Somente após a pesquisa clínica e a exclusão dessa possibilidade é que se inicia o tratamento.

agorafobia, por sua vez, representa o desconforto em lugares, espaços físicos. Enquanto a fobia social tem a ver com o afastamento e o desejo de evitar outras pessoas, a agorafobia representa um disparo de ansiedade em determinados espaços, como igrejas, shows, ônibus lotados, shopping, entre outros. Assim, o indivíduo passa a se isolar e deixar de realizar atividades que tinha o hábito de praticar.

Por fim, o distúrbio de ansiedade generalizada representa a manifestação da ansiedade por vários meses. Somam-se a ela a irritabilidade, dificuldade para convivência, inquietação, falta de concentração e outros sinais, que interferem na qualidade de vida do paciente, seu relacionamento com outras pessoas e com o ritmo de vida.

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