quarta-feira, 8 de junho de 2011

Toque que cura

Na delicadeza das mãos está uma profissão muito valorizada no mercado de trabalho para pessoas cegas: a massoterapia.

Quando começou a trabalhar, há mais de 20 anos, Flávio Luiz Figueiredo nunca imaginou que um dia iria mudar de profissão e se tornar massoterapeuta. "Fui auxiliar de radiologia em quarto escuro por 22 anos. Naquela época, os empregadores davam preferência para quem era cego. Hoje, a coisa mudou muito. Com a informatização e a digitalização, o serviço que as pessoas faziam antes deixou de existir. Foi então que busquei novas alternativas para ganhar a vida e não deixar a renda familiar cair", conta Figueiredo, que nasceu com catarata congênita e tem apenas 5% da visão no olho direito. "Resolvi fazer um curso de massoterapia e me formo agora em julho. Mas já estou trabalhando na área e vou montar um grupo de profissionais para atuar em estandes em estabelecimentos comerciais".

O toque é um dos grandes aliados das pessoas com deficiência visual na técnica de massagens e a falta de visão não atrapalha em nada - pelo contrário, muitas vezes ajuda na concentração. "Temos mais sensibilidade e a tendência de quem enxerga é fazer as manobras apoiado no visual, esquecendo a percepção das mãos. Acho que levamos muitas vantagens", completa o massoterapeuta que é aluno do Instituto Oniki do Brasil, em São Paulo.

A escola técnica de massoterapia é uma das raras instituições criadas para fornecer base profissional para pessoas cegas. Foi fundada pelo professor Ichijiro Oniki em 1990 e é mantida por uma entidade sem fins lucrativos para formar profissionais na área de massagem terapêutica oriental. Cego desde a infância, Oniki nasceu no Japão e estudou medicina oriental em uma escola especializada graças a um programa do governo japonês. Fundou clínicas e escolas no Brasil e em sua terra natal. Foi reconhecido como doutor honorário de Medicina Oriental da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. "Sua meta era oferecer condições para que os seus alunos cegos adquirissem independência financeira por meio do próprio trabalho", comenta o administra dor da escola, Fernando Kunishigue Takahama.

 

Disponível em http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/64/artigo215249-1.asp

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